Publicado em 28 abr 2026

O diagnóstico médico da pancreatite

Redação

Quando o pâncreas está inflamado por algum motivo, o paciente é diagnosticado com pancreatite. A inflamação ocorre quando as enzimas digestivas produzidas pelo órgão são liberadas em seu interior, causando destruição progressiva e levando ao aparecimento de sinais como dor abdominal forte, enjoos e vômitos, febre e hipotensão.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que pode ser aguda ou crônica, com diferentes causas, sintomas, exames diagnósticos e tratamentos. A pancreatite aguda tem o início súbito de inflamação e inchaço do pâncreas.

Causas principais: cálculos biliares (mais comum), uso crônico de álcool, genética, hipertrigliceridemia, trauma, infecções virais, entre outras. Sintomas: dor abdominal intensa, geralmente no quadrante superior esquerdo ou centro do abdome, que pode irradiar para as costas, náuseas, vômitos, febre, icterícia leve, distensão abdominal.

O diagnóstico deve ser feito por exames laboratoriais com aumento de amilase e lipase séricas, exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC) e ressonância magnética (RM). Tratamento: internação hospitalar, controle da dor, hidratação venosa, jejum ou alimentação enteral precoce, remoção de cálculos biliares se presentes, drenagem de coleções líquidas ou cirurgia em casos graves.

A maioria dos casos melhora em uma semana, mas pode evoluir para complicações graves como necrose pancreática, insuficiência renal, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) e abscessos pancreáticos. A pancreatite crônica é uma inflamação persistente e progressiva do pâncreas que leva a danos irreversíveis.

Uso prolongado de álcool, episódios repetidos de pancreatite aguda, causas genéticas, obstrução dos ductos pancreáticos, doenças autoimunes, fibrose cística. dor abdominal crônica, perda de peso, diarreia, esteatorreia (fezes gordurosas), diabetes mellitus secundário. Diagnóstico: exames laboratoriais, testes de função pancreática, exames de imagem (TC, ultrassonografia endoscópica, colangiopancreatografia por ressonância magnética - CPRM, colangiopancreatografia retrógrada endoscópica - CPER).

Tratamento: controle da dor, reposição enzimática pancreática, controle do diabetes, dieta adequada, evitar álcool e tabaco, intervenções endoscópicas ou cirúrgicas em casos selecionados. Pode levar a incapacidade e morte; evitar álcool reduz o risco.

A pancreatite em crianças inclui o trauma abdominal, infecções virais, medicamentos, doenças genéticas e metabólicas. Sintomas semelhantes aos adultos, com dor abdominal intensa e sintomas sistêmicos. ratamento hospitalar com suporte clínico e dieta adequada.

A pancreatite hereditária é um condição genética com episódios recorrentes de pancreatite aguda que evoluem para pancreatite crônica. Associada a mutações no gene PRSS1 e outros genes, pode levar a insuficiência pancreática, diabetes e aumento do risco de câncer pancreático.

Os cálculos biliares são a etiologia mais comum da pancreatite aguda. O mecanismo preciso da pancreatite por cálculos biliares é desconhecido, mas provavelmente envolve aumento da pressão no ducto pancreático causado pela obstrução da ampola secundária a um cálculo ou edema causado pela passagem de um cálculo.

A hipertensão ductal resulta na ativação anormal das enzimas digestivas das células acinares. Os efeitos tóxicos do próprio ácido biliar nas células acinares também pode ser um mecanismo.

A pancreatite por cálculos biliares é rara na gravidez e ocorre mais comumente no 3º trimestre. A ingestão de álcool é a segunda etiologia mais comum da pancreatite aguda.

O risco de ter pancreatite aumenta com maior consumo de bebidas alcoólicas (= 4 a 7 doses por dia para os homens e = 3 doses por dia para as mulheres). Já se acreditou que o risco aumentasse proporcionalmente à duração do consumo de bebidas alcoólicas, mas as crises de pancreatite aguda podem ocorrer nos pacientes suscetíveis após curtos períodos de grande consumo de bebidas alcoólicas.

O consumo baixo ou moderado de álcool está associado à progressão da pancreatite aguda para crônica. Contudo, < 10% dos pacientes com consumo regular de bebidas alcoólicas desenvolvem pancreatite grave, sugerindo que são necessários gatilhos ou cofatores adicionais para deflagrar a pancreatite.

Células acinares pancreáticas metabolizam o álcool em metabólitos tóxicos através das vias oxidativas e não oxidativas e exibem efeitos que predispõem as células à lesão autodigestiva e predispõem o pâncreas à necrose, inflamação e morte celular. Esses efeitos incluem aumento do conteúdo enzimático, desestabilização dos grânulos lisossomais e do zimogênio, aumento sustentado da sobrecarga de cálcio e ativação das células estreladas pancreáticas.

Outra teoria propõe que o álcool aumenta a propensão à formação de plugues proteicos dentro dos ductos pancreáticos, alterando o nível de proteínas litogênicas e aumentando a viscosidade das secreções pancreáticas, causando obstrução e, por fim, atrofia acinar. Várias mutações genéticas que predispõem a pancreatites têm sido identificadas.

Uma mutação autossômica dominante do gene do tripsinogênio catiônico causa pancreatite em 80% dos portadores; um padrão familiar óbvio está presente. Outras mutações têm menor penetrância e não são clinicamente aparentes de imediato, exceto por exames genéticos.

O gene que causa a fibrose cística aumenta o risco de pancreatite aguda recorrente, bem como de pancreatite crônica. A pancreatite aguda é uma complicação que se desenvolve após colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) em cerca de 5 a 8% dos pacientes e pode chegar a 16,5% com base em um banco de dados de pacientes internados. A maioria dos eventos é de gravidade leve a moderada.

Artigo atualizado em 14/04/2026 10:40.
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