As perspectivas médicas do sedentarismo
Redação
O sedentarismo é um hábito em que há pouca ou nenhuma atividade física e uma quantidade excessiva de tempo sentado diariamente. Esse comportamento é definido como qualquer atitude como sentar ou inclinar-se por longos períodos quando acordado, com um baixo gasto de energia.

O sedentarismo é caracterizado pela realização de atividades de baixo ou nenhum gasto energético, geralmente em posições sentadas ou deitadas, como o tempo excessivo em frente a telas de computador, televisão, celulares e tablets. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que adultos e idosos realizem pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em dois ou mais dias da semana para benefícios adicionais à saúde.
O sedentarismo está associado a diversos impactos negativos na saúde, incluindo comprometimento do condicionamento físico, agravamento da sensação de dor crônica, aumento do risco cardiovascular, resistência à insulina, diabetes tipo 2, síndrome metabólica, obesidade e alterações metabólicas. Além disso, o sedentarismo contribui para a inflamação sistêmica, que está relacionada a diversas doenças crônicas.
No contexto da dor crônica, o sedentarismo e a inatividade física podem agravar a sensação de dor devido à piora do condicionamento físico. Em pacientes com doenças crônicas, como hipertensão pulmonar, é recomendado que permaneçam ativos respeitando os limites dos sintomas, evitando excessos que possam agravar dispneia e fadiga.
A prevalência do sedentarismo é alta, com dados que indicam que uma grande parcela da população adulta não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física, o que contribui para o aumento da obesidade e outras comorbidades associadas. Portanto, a promoção da atividade física regular é fundamental para a prevenção e controle de doenças crônicas, melhoria da qualidade de vida e redução dos riscos associados ao sedentarismo.
Conforme o MS-PCDT: Sobrepeso e Obesidade em Adultos, a extensão e a gravidade da crise da obesidade são comparadas apenas à negligência e ao estigma enfrentados pelas pessoas com obesidade. No mundo, sobrepeso e obesidade afetam mais de 2 bilhões de adultos, e a prevalência quase triplicou em 40 anos.
Em 2016, mais de 1,9 bilhão de adultos, com 18 anos ou mais, estavam acima do peso. Desses, mais de 650 milhões tinham obesidade.
A preocupação com os riscos à saúde associados ao aumento da obesidade tornaram-se quase universais; os estados membros da OMS introduziram uma meta voluntária para interromper o aumento da obesidade até 2025. De acordo com dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico de 2019 (VigiteL), a prevalência da obesidade em adultos no Brasil aumentou 72% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 20,3% em 2018. Mais da metade da população brasileira, 55,4%, tem excesso de peso.
Observou-se o aumento de 30% quando comparado com percentual de 42,6% no ano de 2006. A prevalência de excesso de peso tende a aumentar com a idade e diminuir com a escolaridade.
Na população negra, a prevalência de excesso de peso em 2018 era de 56,5% e de obesidade, de 20%. A obesidade é uma condição crônica multifatorial que engloba diferentes dimensões: biológica, social, cultural, comportamental, de saúde pública e política.
O desenvolvimento da obesidade decorre de interações entre o perfil genético de maior risco, fatores sociais e ambientais, por exemplo, inatividade física, ingesta calórica excessiva, ambiente intrauterino, uso de medicamentos obesogênicos e status socioeconômico. Sono insuficiente, disruptores endócrinos e microbiota intestinal também podem estar associados à gênese da obesidade.
Mudanças ambientais e sociais resultaram na alteração dos padrões alimentares e de atividade física. Apesar da existência de políticas públicas para esses dois fatores de proteção, a constante promoção/incentivo ao consumo de alimentos e bebidas ultraprocessados (calorias líquidas – refrigerantes e sucos de frutas adoçados –, fast foods, etc.) prejudicam a prevenção e o controle da obesidade.
O acesso restrito da população a programas públicos de promoção de atividade física é também outro fator que dificulta o controle da obesidade. Além disso, pode-se afirmar que o comportamento sedentário envolve atividades realizadas quando se está acordado sentado, reclinado ou deitado e gastando pouca energia.
Essas atividades geralmente são realizadas em frente a telas de computador, televisão, celulares e tablets, mas também incluem o tempo sentado para se deslocar de um lugar a outro utilizando carro, ônibus ou metro, e para realizar trabalhos manuais, jogar cartas ou jogos de mesa. As evidências científicas mostram que longos períodos em comportamentos sedentários estão relacionados a um maior risco de mortalidade, ao surgimento de diabetes, de doenças cardiovasculares e de câncer, independentemente da quantidade de atividade física praticada.
A parte preocupante disso é que mesmo para as pessoas que praticam alguma atividade física ao longo do dia, o tempo excessivo em comportamento sedentário oferece riscos para a saúde. Ou seja, a prática de atividade física não compensa os efeitos do tempo em comportamento sedentário.
Portanto, além de incluir mais atividade física na sua rotina, se tornando mais ativo fisicamente, diminuir o tempo gasto em comportamento sedentário é tão importante quanto. Sendo assim, para quem passa muito tempo sentado ou deitado, é importante reduzir e interromper esse comportamento sempre que possível.
Como atualmente o trabalho, os estudos e até mesmo os momentos de lazer, bem como algumas condições de saúde, levam as pessoas a ficarem cada vez mais sentadas por muitas horas ao longo do dia, o uso de estratégias que ajudam a diminuir e a interromper o comportamento sedentário, de forma simples e eficiente, é uma maneira de amenizar os efeitos prejudiciais desses comportamentos. Para isso, pequenas atitudes podem ajudar a diminuí-lo e a melhorar a qualidade de vida.
Vale reduzir o tempo sentado ou deitado assistindo à televisão ou usando o celular, computador, tablet ou videogame. Na prática, a cada uma hora em comportamento sedentário, é recomendado se movimentar por pelo menos 5 minutos. Nesse momento, pode-se aproveitar para mudar de posição e ficar em pé, ir ao banheiro, beber água e alongar o corpo.