Publicado em 12 mai 2026

As condições clínicas da dislipidemia

Redação

A dislipidemia refere-se a uma condição metabólica na qual os lipídios no sangue apresentam níveis anormais, como colesterol alto, lipoproteína de baixa densidade (LDL) elevado e triglicerídeos aumentados, enquanto os níveis de lipoproteína de alta densidade (HDL) podem estar diminuídos.

A dislipidemia é uma condição caracterizada por alterações nos níveis de lipídios séricos, incluindo colesterol total, HDL-C e triglicerídeos, que são fatores de risco relevantes para doenças cardiovasculares, especialmente aterosclerose. No Brasil, a prevalência da dislipidemia varia entre 43% a 60% da população.

O diagnóstico baseia-se na dosagem dos lipídios séricos. O LDL-C pode ser calculado pela fórmula de Friedewald quando os triglicerídeos são inferiores a 400 mg/dL. Para triglicerídeos acima de 400 mg/dL, utiliza-se o colesterol não HDL como parâmetro, cujo alvo é 30 mg/dL acima do alvo de LDL-C.

A estratificação do risco cardiovascular é feita com ferramentas como o Escore de Risco de Framingham, que ajuda a definir metas terapêuticas personalizadas. Deve-se fazer a redução de eventos cardiovasculares, incluindo mortalidade. Prevenção de pancreatite aguda associada à hipertrigliceridemia grave.

A terapia nutricional inclui a redução do consumo de gorduras saturadas e colesterol, substituição por ácidos graxos mono e poli-insaturados, exclusão dos ácidos graxos trans, restrição de carboidratos em casos de hipertrigliceridemia secundária, e abstenção do álcool. Atividades aeróbicas, resistência e flexibilidade, com frequência de 3-6 vezes por semana, totalizando cerca de 150 minutos semanais.

Cessação do tabagismo: abordagem cognitivo-comportamental e farmacoterapia se necessário. Tratamento medicamentoso com estatinas, primeira classe com evidência de benefício na redução de eventos cardiovasculares e mortalidade.

Pacientes com hipercolesterolemia familiar e muito alto risco cardiovascular podem necessitar de terapia hipolipemiante agressiva. O tratamento deve ser individualizado conforme o risco cardiovascular global e presença de comorbidades.

O MS-PCDT: Dislipidemia garante que a dislipidemia é um fator de risco cardiovascular relevante, pelo desenvolvimento da aterosclerose. Na aterogênese, o papel do colesterol total, particularmente o contido nas partículas de lipoproteínas de baixa densidade foi constatado em uma série de estudos observacionais e experimentais das últimas décadas, passando por estudos pré-clínicos, patológicos, clínicos e genéticos, em diferentes populações.

Os trabalhos iniciais relacionaram o colesterol total com doença arterial coronariana (DAC). Como o LDL-C corresponde à maior parte do colesterol total (60%-70% na população geral do Estudo de Framingham), a forte correlação entre colesterol total e DAC reflete a relação entre LDL-C e DAC, confirmada pelo Framingham Heart Study. Apesar de as evidências serem menos expressivas, a elevação de triglicerídeos também se associa a risco de DAC.

Pode-se dizer que não existe um valor normal de LDL-C, mas níveis desejáveis acima dos quais intervenções já demonstram benefícios. Atualmente, níveis de LDL- C maiores de 100 mg/dL parecem estar relacionados com maior risco do desenvolvimento de eventos ateroscleróticos; níveis menores de 100 mg/dL são considerados alvo terapêutico para a maioria dos indivíduos com risco cardiovascular elevado, não significando que tais níveis os isentem desse risco. Sendo as doenças cardiovasculares ateroscleróticas de etiologia multifatorial, a presença de outros fatores de risco (por exemplo, hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, obesidade, diabete melito, história familiar etc.) é considerada tão importante quanto os níveis de colesterol total ou de LDL-C, de maneira que, de acordo com a agregação desses fatores de risco, níveis diferentes de LDL-C são desejados como meta para tratamento, não havendo firme consenso sobre qual o valor de LDL para início ou alvo de tratamento.

Outra situação clínica, não cardiovascular, associada à dislipidemia, particularmente à hipertrigliceridemia, é a pancreatite aguda. Níveis de triglicerídeos maiores do que 500 mg/dL podem precipitar ataques de pancreatite aguda, embora a patogênese da inflamação não seja clara.

Um estudo estimou que hipertrigliceridemia foi a etiologia da pancreatite aguda entre 1,3%-3,8% dos casos de pancreatite. Estudos observacionais de base populacional conduzidos no Brasil revelam prevalências de dislipidemia de 43% a 60.

Enfim, o colesterol é um componente essencial das membranas celulares, das células cerebrais e nervosas e da bile, que ajuda o organismo a absorver gorduras e vitaminas lipossolúveis. O organismo utiliza o colesterol para sintetizar a vitamina D e vários hormônios, tais como o estrogênio, a testosterona e o cortisol.

O organismo consegue produzir todo o colesterol de que necessita, mas também pode obtê-lo a partir dos alimentos. Os triglicerídeos, presentes nas células adiposas, podem ser decompostos e, em seguida, usados para fornecer energia para os processos metabólicos do organismo, inclusive o crescimento.

Os triglicerídeos são produzidos no intestino e no fígado a partir de moléculas de gordura menores, denominadas ácidos graxos. Alguns tipos de ácidos graxos são produzidos pelo organismo, mas outros precisam ser obtidos de alimentos.

Os níveis de lipoproteínas e, consequentemente, de lipídios, sobretudo do colesterol LDL (lipoproteínas de baixa densidade) aumentam ligeiramente conforme a pessoa envelhece. Esses níveis são normalmente ligeiramente mais elevados nos homens do que nas mulheres, ainda que nestas comecem a aumentar depois da menopausa. O aumento dos níveis de lipoproteínas que ocorre com o envelhecimento pode resultar em dislipidemia.

Artigo atualizado em 28/04/2026 01:50.
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