As causas médicas do xeroderma pigmentoso
Redação
Conhecida como a doença do sol, a xerodermia pigmentosa é uma condição genética rara, não contagiosa, caracterizada por uma extrema sensibilidade à radiação ultravioleta (UV, presente nos raios solares). A enfermidade afeta, portanto, as áreas do corpo mais expostas ao sol, como a pele e os olhos.

O xeroderma pigmentoso (XP) é uma doença genética hereditária caracterizada por sensibilidade extrema à radiação ultravioleta (UV), com acometimento preferencial da pele exposta ao sol e das estruturas oculares, associada a elevado risco de cânceres cutâneos induzidos por UV e, em alguns casos, comprometimento neurológico progressivo.
É uma doença rara, estimada em ~1:1.000.000 nos EUA/Europa; mais prevalente no Japão, Norte da África e Oriente Médio. Início habitualmente na infância (sinais aparecem na infância ou antes dos 2 anos).
Mecanismo: defeitos na reparação de DNA — majoritariamente na via de reparo por excisão de nucleotídeo (NER) — resultando acúmulo de danos por UVR; o gene POLH age por bypass da lesão e não faz parte do NER. Em muitos países, >50% dos casos são causados por variantes em XPC, ERCC2 e POLH.
As manifestações clínicas principais incluem uma reação exagerada à exposição solar, com queimadura severa com poucos minutos de exposição em cerca de metade das crianças afetadas. Outros pacientes podem bronzear normalmente.
Clínica: história de sensibilidade UVR precoce, efélides em infância, múltiplos tumores cutâneos precoces.
Exames: biópsia de pele (quando indicado) e testes genéticos (sequenciamento dos genes associados; há registro de testes para vários grupos XP). O diagnóstico pré-natal descrito: amniocentese, biópsia de vilo corial e cultura de células amnióticas quando há indicação genética.
Proteção total contra luz UV, evitar exposição solar direta e indireta (inclusive luz que atravessa janelas e lâmpadas fluorescentes). Medidas práticas: roupas de proteção (mangas compridas, calças), óculos escuros que bloqueiem UVA e UVB, uso de protetor solar com FPS o mais elevado disponível.
Sem proteção adequada, desenvolvimento de múltiplos cânceres cutâneos ao longo da vida é comum; uma proporção significativa dos afetados morre precocemente por câncer de pele. Neuropatias progressivas, quando presentes, tendem a piorar com o tempo.
Geralmente, é causada por uma deficiência no DNA do paciente, que se torna incapaz de reparar qualquer dano causado pela radiação ultravioleta na pele, olhos e mucosas, aumentando as possibilidades de desenvolver câncer cutâneo. A patologia hereditária, com transmissão genética para familiares, atinge igualmente ambos os sexos.
Segundo estatísticas norte-americanas e europeias, as chances de desenvolver XP são de 1 para 1 milhão. Alguns indivíduos com xeroderma pigmentoso têm, também, envolvimento neurológico, mas é ainda mais raro.
Não se contrai a condição por meio de contato físico (pessoa-pessoa), nem mesmo por contato com secreções, aerossóis (“espirros”, por exemplo). Os portadores da doença podem realizar interação social, frequentando ambientes públicos, como colégios e creches, mas com extrema proteção solar, sem qualquer prejuízo a qualquer indivíduo.
As lesões decorrentes de xeroderma pigmentoso ocorrem nas áreas expostas à luz solar e, geralmente, iniciam-se nos primeiros anos da infância. A pele, em crianças, apresenta um número aumentado de sardas e manchas em confete esbranquiçadas.
Seus olhos também têm forte sensibilidade à luz. O dano solar, quando o portador não se protege com roupas, chapéus, óculos escuros e filtro solar, é capaz de evoluir para lesões pré-malignas (queratoses actínicas) e malignas de pele (câncer).
Além disso, esses pacientes podem apresentar maior incidência de tumores sistêmicos, quando comparados com a população em geral. Os principais sintomas de XP, que surgem até os 10 anos, são: muitas sardas no rosto e em todo corpo, que ficam ainda mais escuras quando expostas ao sol.
Manchas escuras ou claras ou formação de crostas na pele, queimaduras graves após alguns minutos de exposição solar, aparecimento de bolhas na pele exposta ao sol, vermelhidão, descamação e vasos sanguíneos dilatados na pele.
Além disso, é possível que a pessoa sofra com pele seca, envelhecimento prematuro da pele e olhos vermelhos, irritados e extremamente sensíveis ao sol. Em alguns casos, dependendo do gene afetado e tipo de mutação, é possível que algumas pessoas portem alterações neurológicas, como retardo mental e atraso no desenvolvimento.
A causa do xeroderma pigmentoso é uma mutação nos genes responsáveis pelo reparo do DNA após a exposição à radiação UV. Como consequência, o DNA não consegue ser reparado de forma correta, resultando em alterações de sensibilidade na pele, surgimento de manchas e aumento do risco de câncer de pele.
Por isso, ainda é possível que os portadores apresentem maior incidência de tumores sistêmicos, quando comparados com a população em geral. A condição não é transmissível ou contagiosa, sua origem é totalmente genética.
Comportamentos durante a gravidez também não são responsáveis pelo desenvolvimento da doença. Porém, se uma mulher grávida for portadora da XP, as chances de que o bebê nasça com alteração no DNA é de 25%.
O diagnóstico do xeroderma pigmentoso é feito pelo médico dermatologista por meio da avaliação dos sintomas, histórico de saúde e exame físico, geralmente ainda na infância, por volta de 1 a 2 anos. Para confirmar a suspeita do quadro, o profissional solicita testes genéticos.
Além disso, como essa condição é capaz de aumentar o risco de câncer de pele, o especialista tem a opção de realizar biópsias de pele caso verifique lesões suspeitas. A doença não possui cura, pborém, ela consegue ser controlada por meio de tratamentos (remoção de eventuais tumores e terapias tópicas com medicações apropriadas), que devem ser indicados pelo médico dermatologista, conforme o tipo de lesão de cada paciente.