As terapêuticas clínicas para o leiomioma de útero
Redação
Os leiomiomas, miomas ou fibromas uterinos são tumores benignos originados de células musculares lisas do miométrio. São costumeiramente descritos de acordo com sua localização: intramurais, submucosos, subserosos e cervicais.

Conforme esclarece o MS-PCDT: Leiomioma de útero, os leiomiomas, miomas ou fibromas uterinos são tumores benignos originados de células musculares lisas do miométrio. São costumeiramente descritos de acordo com sua localização.
Os intramurais desenvolvem-se dentro da parede uterina e podem ser grandes o suficiente para distorcer a cavidade uterina e a superfície serosa. Os submucosos derivam de células miometriais localizadas imediatamente abaixo do endométrio e frequentemente crescem para a cavidade uterina.
Os subserosos originam-se na superfície serosa do útero e podem ter uma base ampla ou pedunculada e ser intraligamentares; e os cervicais ficam localizados na cérvice uterina. Os miomas são uma causa comum de morbidade em mulheres em idade reprodutiva; no entanto a maioria apresenta-se assintomática não necessitando de nenhuma intervenção.
A maioria das mulheres sintomáticas apresenta mioma na 4ª e 5ª décadas de vida. A incidência varia grandemente – de 5% a 80% –, de acordo com o método diagnóstico utilizado.
Em uma amostra aleatória de mulheres entre 25-40 anos de idade(1,3), a ultrassonografia (US) transvaginal detectou uma prevalência de 5,4%, com uma relação direta entre prevalência e idade das pacientes – 3,3% para mulheres entre 25 e 32 anos e 7,8% para mulheres entre 33 e 40 anos. Uma prevalência de 6% a 34% de miomas submucosos foi observada em mulheres que se submeteram à histeroscopia como parte da investigação de hemorragia anormal e de 2% a 7% nas mulheres sob investigação de infertilidade(4).
Os miomas não têm sido descritos em meninas pré-puberais, embora já o tenham sido em adolescentes(5, 6). Alguns fatores de risco relacionados ao desenvolvimento de miomas são a paridade (maior risco em nulíparas)(7), uso de anticoncepcional oral (ACO - protegeria contra o desenvolvimento de miomatose)(2,7), tabagismo (diminuição de risco), dieta (carnes vermelhas associam-se a risco de desenvolvimento e vegetais verdes a diminuição de risco) (8), obesidade (maior risco)(2), etnia (mulheres negras têm maior risco(5), história familiar (9) e genética (2,10).
A patogênese dos miomas não está esclarecida. Embora o crescimento desses tumores seja responsivo a esteroides gonadais, esses hormônios não são necessariamente responsáveis pela gênese dos tumores.
Outras influências que não os hormônios gonadais ficam claras ao se avaliar o fato de que paridade e o de ACO são fatores protetores para o desenvolvimento de miomas(5). A identificação dos fatores de risco e da doença em seu estágio inicial e o encaminhamento ágil e adequado para o atendimento especializado dão um caráter essencial para um melhor resultado terapêutico e prognóstico dos casos.
No protocolo, a terapia medicamentosa é indicada principalmente quando há contraindicação ao tratamento cirúrgico curativo. Os objetivos são reduzir a hemorragia uterina; prevenir ou corrigir a anemia ferropriva; reduzir os sintomas compressivos; e reduzir a dor pélvica.
Os análogos do GnRH podem produzir amenorreia e redução significativa do volume uterino, com efeito máximo descrito em aproximadamente 12 semanas. Entretanto, a suspensão do tratamento associa-se à recorrência rápida dos sintomas, e o uso prolongado requer avaliação especializada.
A monitorização medicamentosa inclui avaliação clínica periódica, hemograma e ultrassonografia a cada três meses. Em uso prolongado de análogo do GnRH associado à terapia de reposição complementar, recomenda-se densitometria óssea ao final do tratamento.
O tratamento inclui considerar o tipo e intensidade dos sintomas; o tamanho e localização dos miomas; a idade; o desejo reprodutivo e planos obstétricos; e as condições clínicas e possibilidade de intervenção cirúrgica. O objetivo é aliviar sangramento, dor e sintomas compressivos.