O tratamento médico da anisaquíase ou verme do sushi
Redação
A anisaquíase é uma parasitose intestinal provocada por vermes nemátodes da família Anisakinae, nomeadamente Anisakis simplex, Anisakis physeteris e Pseudoterranova decipiens, que são habitualmente adquiridos após a ingestão de frutos-do-mar ou peixes crus. É uma doença rara, mas que, devido à crescente popularização dos pratos à base de peixes crus ou mal cozidos, tais como sushi, carpaccios de salmão, salmão defumado ou ceviches, tem vindo a se tornar cada vez mais descrita.

O verme do sushi geralmente se refere a parasitas que podem estar presentes em peixes crus ou mal cozidos, como os utilizados na preparação de sushi. Entre os helmintos que podem ser encontrados em alimentos crus estão os cestódeos (tênias) e nematoides.
Para diagnóstico laboratorial, o exame parasitológico de fezes é utilizado para identificar ovos, larvas ou vermes adultos desses parasitas. Por exemplo, a Taenia spp. (tênias) pode ser diagnosticada pela presença de proglotes ou ovos nas fezes.
Outros helmintos intestinais comuns incluem Ascaris lumbricoides, Enterobius vermicularis, Strongyloides stercoralis, entre outros. Quanto ao tratamento, a ivermectina é um antiparasitário de amplo espectro que atua imobilizando os vermes por paralisia tônica da musculatura, mediada pela ativação dos canais de cloro sensíveis às ivermectinas, resultando em morte do parasita.
No entanto, a ivermectina não é eficaz contra cestódeos e trematódeos, que são os grupos que incluem as tênias. Para esses, medicamentos como o praziquantel são indicados, pois atuam causando paralisia e destruição dos vermes.
Além disso, o mebendazol é outro antiparasitário utilizado para tratar infecções por nematoides intestinais, atuando localmente no intestino, interferindo na formação da tubulina celular dos vermes, levando à interrupção da captação de glicose e morte do parasita. Em relação à segurança alimentar do sushi, as normas técnicas recomendam cuidados rigorosos na manipulação, preparo e armazenamento do arroz e dos ingredientes, controle do pH do arroz temperado, manutenção das temperaturas adequadas para exposição e consumo, e descarte de sobras após 6 horas para evitar riscos de contaminação e proliferação de microrganismos.
Portanto, o verme do sushi pode estar relacionado a parasitas como tênias (cestódeos) e nematoides que podem ser transmitidos pelo consumo de peixe cru. O diagnóstico é feito por exame parasitológico de fezes, e o tratamento depende do tipo de parasita, podendo incluir ivermectina, praziquantel ou mebendazol, conforme o caso.
A infecção é uma parasitose típica dos mamíferos marinhos, como baleias, golfinhos, leões marinhos e focas, sendo o homem apenas um hospedeiro acidental. A anisaquíase comporta-se nos animais marinhos de forma semelhante à ascaridíase no homem.
Para entender como se dá a contaminação dos seres humanos, deve-se conhecer o ciclo de vida do parasito. São habitualmente seis fases: mamíferos marítimos contaminados eliminam ovos do verme pelas fezes.
Na água do mar, os ovos chocam e as larvas são liberadas, passando a nadar livremente. Essas larvas são ingeridas por crustáceos e começam a se desenvolver no seu interior.
Quando os crustáceos contaminados são comidos por peixes ou lulas, a larva do verme desloca-se do trato gastrointestinal para os músculos. Peixes contaminados são comidos por mamíferos marinhos.
A larva, agora no seu hospedeiro definitivo, desenvolve-se, vira verme adulto e passa a liberar ovos no intestino desses mamíferos, dando início a um novo ciclo. A contaminação dos seres humanos se dá por acidente na 5ª fase.
Porém, ao contrário do que ocorre nos mamíferos marinhos, a larva do Anisakis não consegue evoluir para verme adulto nos seres humanos. Quando um humano se contamina, o ciclo de reprodução do parasito é interrompido, pois ele não consegue sobreviver fora do seu hospedeiro habitual.
Portanto, não existe transmissão de ser humano para ser humano, e as pessoas contaminadas não eliminam ovos nem parasitos pelas fezes. Assim, o homem contamina-se com o parasito Anisakis quando ingere carne crua ou malpassada de peixes contaminados.
Salmão, arenque, cavala e lula costumam transmitir espécies de Anisakis, enquanto alabote e anchova transmitem espécies de Pseudoterranova. O bacalhau pode transmitir ambas as espécies.
A larva do verme costuma estar alojada no músculo dos peixes, sendo possível sua identificação no momento em que o peixe está sendo fatiado. As melhores medidas preventivas são a cozedura do peixe a, no mínimo, 70°C ou congelamento a -20°C por um período mínimo de 72 horas (idealmente por 7 dias) ou a -35°C por, pelo menos, 24 horas. O processo de defumação não mata o parasito.
Apesar da recente explosão no número de restaurantes de sushi no mundo ocidental nos últimos anos, a anisaquíase continua sendo pouco comum. Isso ocorre por 3 motivos: restaurantes de qualidade congelam o peixe antes de ele ser servido ao público.
Muitos restaurantes utilizam peixes criados em cativeiro, sem contato com a vida marinha natural. Chefs de sushi devidamente treinados são capazes de detectar as larvas do Anisakis no momento do preparo do peixe.