Os distúrbios médicos do câncer dos ossos
Redação
O câncer dos ossos ou osteosarcoma é um tumor maligno com origem em células que formam osso, os osteoblastos e pode aparecer no joelho ou parte superior do braço. É o mais frequente do osso, principalmente em adolescentes.

O câncer dos ossos pode se manifestar de diferentes formas, incluindo o mieloma múltiplo (MM), que é uma neoplasia caracterizada pela proliferação descontrolada de plasmócitos, afetando principalmente os ossos. No MM, a doença óssea é uma das principais manifestações clínicas, ocorrendo devido à destruição óssea que pode se apresentar como lesões osteolíticas ou osteopenia, causando dor intensa, fraturas, compressão da medula espinhal e hipercalcemia.
Essa destruição óssea ocorre pelo aumento da atividade osteoclástica, mediada por fatores ativadores produzidos pelas células tumorais e não tumorais na medula óssea. O MM é classicamente descrito pela síndrome "CRAB", que inclui hipercalcemia, insuficiência renal, anemia e doença óssea. Cerca de 58% dos pacientes apresentam dores ósseas, e a doença pode comprometer a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes desde os estágios iniciais.
Para prevenção de fraturas patológicas em pacientes com MM, é recomendada a terapia profilática com inibidores da osteólise, como os bisfosfonatos. O ácido zoledrônico é o bisfosfonato mais indicado, administrado por via intravenosa, 4 mg uma vez ao mês, com duração máxima de 24 meses, podendo ser ajustado conforme a resposta clínica.
O pamidronato é uma alternativa quando o ácido zoledrônico não está disponível ou é contraindicado. Além do MM, o câncer pode se desenvolver em quase qualquer tecido ou órgão, incluindo os ossos, e pode ser primário ou metastático.
As metástases ósseas são comuns em vários tipos de câncer, como o câncer de mama e o câncer de próstata, e podem causar dor, fraturas patológicas, compressão medular e hipercalcemia. O tratamento das metástases ósseas inclui o uso de inibidores de osteólise, radioterapia e tratamento sistêmico efetivo.
No câncer de próstata com metástases ósseas, o uso de bisfosfonatos e denosumabe (anticorpo monoclonal) tem mostrado benefício na prevenção de complicações ósseas. Radiofármacos também são utilizados para controle da dor óssea em pacientes com doença metastática.
Em resumo, o câncer dos ossos pode ser primário, como no mieloma múltiplo, ou secundário, decorrente de metástases de outros tumores. A doença óssea associada ao câncer pode causar complicações graves, e o tratamento inclui terapias para prevenir a destruição óssea, controlar a dor e tratar a neoplasia de base.
O MS-PCDT: Mieloma Múltiplo (DDT descreve que o mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia maligna de plasmócitos provenientes da medula óssea que, de acordo com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2020, foi responsável por 176.404 novos casos e 117.077 óbitos. A incidência mundial, neste mesmo ano, foi de 1,8 casos/100 mil habitantes com taxa de mortalidade mundial de 1,1 óbitos/100 mil habitantes.
Na América do Sul, a incidência foi de 2,0 casos/100 mil habitantes e a taxa de mortalidade foi de 1,5 óbitos a cada 100 mil habitantes. No Brasil, dados do Painel Oncologia Brasil mostram que, entre 2013 e 2019, foram diagnosticados cerca de 2.600 casos de MM, anualmente, estimando-se 1,24 casos/100 mil habitantes.
Os principais fatores de risco para MM são idade, sexo masculino, etnia e histórico familiar. Em relação à idade, apenas 15% dos diagnósticos são realizados em pessoas com menos de 55 anos, enquanto mais de 60% dos diagnósticos acontecem em adultos com mais de 65 anos.
A incidência de MM é 1,5 vezes maior em homens do que em mulheres; 2 vezes maior em pessoas afro-americanas do que em caucasianas, enquanto asiáticos e nascidos nas ilhas do Pacífico Sul apresentam riscos menores. Também existe forte associação de risco entre parentes de primeiro grau, especialmente em homens e afro-americanos.
No Brasil, dados do Observatório de Oncologia apontam uma mediana de idade destes pacientes de 63 anos, com variação de 18 a 100 anos. Algumas condições clínicas também estão associadas ao maior risco de desenvolver MM, tais como a gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI), o plasmo citoma solitário e o MM latente.
Indivíduos com GMSI, com mais de 1,5 g/dL de proteína M e razão alterada de dosagem de cadeias kappa/lambda leves livres séricas, apresentam risco aumentado entre 20% e 30% de desenvolverem MM ativo em 20 anos. O plasmocito ma solitário, em especial o plasmocitoma ósseo, apresenta risco maior que o plasmocitoma extramedular na evolução para o MM (35% e 7%, respectivamente, em dois anos).
Já o MM latente apresenta um risco de progressão entre 70% e 80% em dois anos, com taxas decrescentes em função do tempo. O MM é classicamente descrito como síndrome “CRAB”, acrônimo, do inglês, que resume as principais manifestações clínicas da doença: hipercalcemia (Calcium elevation), insuficiência renal (Renal failure), anemia (Anemia) e doença óssea (Bone disease).
A doença é caracterizada pela proliferação descontrolada de plasmócitos, que pode causar sinais e sintomas localizados, de acordo com o sítio de proliferação (principalmente ossos), e sistêmicos, que ocorrem pelo excesso dessas células na corrente sanguínea. Cerca de 73% dos pacientes apresentam anemia ao diagnóstico, que está associada à fadiga em 32% dos casos.
Outras manifestações observadas são dores ósseas (58%), perda de peso (28%), parestesia (5%) e febre (0,7%). Por apresentar grande carga de sintomas, o MM pode comprometer a qualidade de vida e a capacidade funcional dos pacientes, desde os estágios iniciais da doença, até os mais avançados.
Os pacientes relatam alterações em todos os domínios relacionados à qualidade de vida, como aspectos emocionais, capacidade física (mobilidade, lazer, passatempo e atividade sexual), aspectos cognitivos e sociais (rede de apoio familiar; institucional e financeiro). As principais queixas físicas incluem formigamento nas mãos e nos pés, dores osteomusculares e tontura, além de ansiedade, depressão e fadiga que requerem atenção dos profissionais de saúde. A atenção à saúde do paciente com MM no Sistema Único de Saúde (SUS) envolve diferentes níveis de complexidade, desde a identificação precoce de sinais e sintomas que levam à suspeita clínica, preferencialmente na atenção primária, até a confirmação diagnóstica em um centro de referência em oncologia, acompanhada do planejamento do tratamento.