Os problemas médicos da colite ulcerosa
Redação
Essa é uma doença inflamatória crónica do intestino que afeta a camada que reveste internamente o intestino grosso ou cólon. Esta mucosa fica inflamada e com pequenas feridas na superfície que podem sangrar, além de produzir uma quantidade excessiva de secreção que eventualmente contém pus e sangue.

A colite ulcerosa é um distúrbio crônico do sistema digestivo caracterizado por inflamação anormal da superfície interna do reto e do cólon. A inflamação costuma causar úlceras no intestino grosso e pode apresentar exacerbações recorrentes ao longo da vida.
O quadro clínico descrito inclui dor abdominal em cólica, diarreia frequente, muitas vezes com sangue, pus ou muco, náusea, perda de apetite, urgência evacuatória, fadiga, febre e sangramento crônico com risco de anemia. Dificuldade de absorção de líquidos e nutrientes, com perda de peso.
Em crianças, crescimento mais lento que o normal. Aumento do risco de câncer de cólon, especialmente quando todo o cólon está inflamado e quando a doença tem 8 anos ou mais.
Pode haver acometimento de pele, articulações, olhos, rins ou fígado. É uma forma comum de doença inflamatória intestinal (DII)
O diagnóstico e a classificação podem ser feitos por história clínica, exame físico, exames laboratoriais, exame endoscópico e achados histopatológicos. Colonoscopia ou retossigmoidoscopia são parte fundamental do diagnóstico.
Em casos selecionados, a retossigmoidoscopia sem preparo de cólon pode ser usada para confirmar diagnóstico e descartar colite por citomegalovírus pela análise histopatológica. O objetivo do tratamento é induzir remissão e manter a remissão.
A doença pode ser controlada com medicamentos, incluindo agentes biológicos. Em doença grave sem resposta, há descrição de manejo hospitalar com hidrocortisona intravenosa, hidratação intravenosa, pesquisa fecal para Clostridium difficile, profilaxia para tromboembolismo venoso e avaliação precoce por equipe cirúrgica. Em alguns casos, pode ser necessária colectomia.
Conforme o MS-PCDT: Retocolite Ulcerativa, a retocolite ulcerativa (RCU) é uma doença inflamatória intestinal crônica caracterizada por episódios recorrentes de inflamação que acomete predominantemente a camada mucosa do cólon. A doença usualmente afeta o reto e também variáveis porções proximais do cólon, em geral de forma contínua, ou seja, sem áreas de mucosa normal entre as porções afetadas.
Muitos pacientes permanecem em remissão clínica da doença por longos períodos, mas a probabilidade de ausência de recidiva por dois anos é de apenas 20%. As recidivas geralmente ocorrem na mesma região do cólon afetada em outros períodos de agudização.
Entretanto, cerca de 20% a 50% dos pacientes pode apresentar extensão proximal da doença ao longo do seguimento. A doença pode se iniciar em qualquer idade.
O pico de incidência parece ocorrer dos 20 aos 40 anos e muitos estudos mostram um segundo pico de incidência nos idosos. Um estudo transversal realizado na Bahia apontou para um tempo médio de diagnóstico aos 39,4 anos de idade.
A maioria dos estudos evidencia discreto predomínio no sexo masculino, embora alguns estudos recentes tenham demonstrado o contrário. A América Latina é considerada uma região de baixa prevalência da doença quando comparada com países como os Estados Unidos, o Reino Unido e a Austrália.
Dados populacionais sobre a epidemiologia das doenças inflamatórias intestinais no Brasil são escassos. Estudo nacional de base populacional identificou aumento na incidência de RCU de 5,7 para 6,9 por 100.000 habitantes/ano na última década.
Sendo assim, o objetivo principal do tratamento é oportunizar a remissão clínica livre do uso de corticoide e, posteriormente, a manutenção da remissão no longo prazo, evitando recidivas. O tratamento preconizado está dividido em fases de indução da remissão e de manutenção da remissão, e a conduta terapêutica estabelecida em termos de extensão da doença e de gravidade da agudização, em conformidade com os principais consensos mundiais.