Publicado em 01 set 2026

Os sintomas médicos da artrose do ombro

Redação

A artrose do ombro corresponde a um desgaste da articulação do ombro, com perda progressiva da cartilagem e deformidade óssea, com aparecimento de osteófitos ou bicos de papagaio ou subida da cabeça do úmero da sua posição na articulação.

A osteoartrose/artrose inclui uma dor articular relacionada à atividade, com melhora ao repouso. Rigidez articular de curta duração, descrita como de minutos.

Na avaliação do ombro, a mobilidade ativa e passiva deve ser comparada ao lado contralateral; a limitação pode ser percebida nos movimentos de abdução, rotação externa e rotação interna. Em situações de comprometimento do ombro, a dor pode ser evidenciada durante a palpação e durante os testes funcionais como o teste de Appley.

Também foi descrito que, em doenças degenerativas articulares, a dor tende a piorar com a atividade e melhorar com o repouso, enquanto a rigidez costuma ser breve. Em articulações com processo degenerativo, a crepitação pode sugerir comprometimento articular/ósseo.

O MS-PCDT: Dor Crônica detalha que a dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou que lembra a sensação causada por uma lesão tecidual real ou potencial. O conceito da dor é construído por cada indivíduo, influenciado por fatores biopsicossociais e, com base nas experiências dolorosas.

Assim, as queixas álgicas devem ser valorizadas pelos profissionais de saúde e a inabilidade de comunicação dos indivíduos pode não signi ficar ausência de dor. A aversão à sensação de dor faz com que o indivíduo evite situações em que será exposto a dano físico – essa é a função de preservação da dor.

Na dor aguda, esse mecanismo pode evitar o agravamento de uma lesão recente, no entanto, na dor crônica esse mecanismo pode reduzir cada vez mais as atividades diárias da pessoa e limitar os contatos sociais, influenciando negativamente na sua qualidade de vida, com consequências prejudiciais para a saúde dos indivíduos. Há três mecanismos biológicos implicados na dor, o nociceptivo, o neuropático e o nociplástico.

Estes frequentemente coexistem, o que por vezes culmina na denominação de dor mista. Nocicepção, do latim “ferir”, é o processo neural de codificação de um estímulo que lesiona ou ameaça causar lesão tecidual.

A dor pelo mecanismo nociceptivo é a mais frequente e ocorre principalmente nas terminações livres dos nervos nociceptivos, dispostas como uma rede de fibras finas presentes em diversos tecidos do corpo. Quando existe lesão celular, são liberados mediadores inflamatórios como bradicinina, prostaglandinas, leucotrienos e substância P, que estimulam vasodilatação, edema e dor.

Estímulos repetidos levam a alterações no nociceptor e a sua sensibilização, o que diminui o limiar de dor da pessoa. A sensibilização facilita o aumento da responsividade de neurônios nociceptivos aos estímulos, que podem ocorrer na forma de hiperalgesia e alodinia.

Hiperalgesia é um aumento da resposta a um estímulo normalmente doloroso, e alodinia é a dor ocasionada por um estímulo que normalmente não causa dor. A sensibilização pode ser periférica ou central, podendo a central ser medular (segmentar) ou supramedular (suprassegmentar), conforme o trecho do sistema nociceptivo acometido.

Uma série de alterações mal adaptativas perpetuam este ciclo inflamatório. Dor neuropática é aquela decorrente de “lesão ou doença” do sistema nervoso somatossensitivo.

Para que a dor seja classificada como neuropática, é necessário que haja manifestações clínicas neurológicas compatíveis e a sua comprovação por meio de exames complementares. Dor nociplástica (de “plasticidade”, ou adaptação) é definida em termos de uma “nocicepção alterada”, em que os tecidos envolvidos se encontram sensibilizados.

Essa dor ocorre mesmo que não haja evidência de lesão real ou ameaça que ative nociceptores periféricos ou de doença ou lesão do sistema somatossensório. A dor generalizada, vista na fibromialgia, é uma das condições clínicas em que o componente nociplástico se manifesta.

Também é possível apresentar uma combinação de dor nociplástica e nociceptiva. A dor crônica pode ser primária (quando não se conhece a causa) ou secundária (quando é consequência de alguma doença conhecida).

Embora existam controvérsias quanto ao ponto de corte e à associação com outros parâmetros para definir dor crônica, pode-se optar pela definição de dor crônica como aquela superior a três meses, independentemente do grau de recorrência, intensidade, e implicações funcionais ou psicossociais. Recomenda a avaliação destes fatores nos cuidados à pessoa com dor crônica.

Estudos populacionais em adultos no Brasil revelam uma prevalência de dor crônica de aproximadamente 40%. A prevalência de dor crônica intensa (intensidade = 8) gira em torno de 10%; e de dor crônica com limitação grave ou generalizada em torno de 5%.

Lombalgia é a dor crônica mais comum, seguida por dor em joelho, ombro, cabeça, costas e pernas ou membros inferiores. Um estudo realizado em capitais brasileiras mostrou prevalências de 77% para dor na coluna, 50% no joelho, 36% no ombro, 28% no tornozelo, 23% nas mãos e 21% na cervical. Os custos econômicos e sociais da dor crônica musculoesquelética são altos, possivelmente ultrapassando os custos dispendidos a pessoas com diabetes, cardiopatias e câncer.

Dores musculoesqueléticas são o problema de saúde mais frequente na população entre 15 e 64 anos, constituindo a principal causa de aposentadoria precoce, a segunda causa de tratamento de longo prazo e a principal causa de incapacidade em grupos dessa faixa etária.

Em 2017, a lombalgia foi a principal causa de anos perdidos por incapacidade entre adultos de 50 a 69 anos de idade; cefaleia, a segunda; e outras desordens musculoesqueléticas, a décima. Em 2019, dor lombar e cefaleia se mostraram bastante prevalentes entre as causas de anos de vida perdidos por morte ou incapacidade (respectivamente, a sétima e nona causas).

Resultados semelhantes são vistos em todo o mundo. O estigma e a negligência relacionados à dor crônica também a destacam entre as demais doenças crônicas não transmissíveis

 

Artigo atualizado em 18/08/2026 10:18.
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