Publicado em 01 set 2026

As causas médicas do acidente isquêmico transitório

Redação

Um acidente isquémico transitório consiste em um bloqueio temporário e de curta duração - habitualmente, de menos de cinco minutos - do fluxo sanguíneo para o cérebro ou medula espinhal. Na situação de poder ser causado por um coágulo, o coágulo que provoca o bloqueio costuma dissolver-se por si mesmo ou se soltar.

O acidente isquêmico transitório aparece como diagnóstico diferencial de quadros neurológicos focais de início súbito. O material informa que os ataques isquêmicos transitórios (AIT) podem ser confundidos com migrânea com aura, especialmente quando há sinais ou sintomas focais; sintomas visuais, como escotomas cintilantes; hemiparesia; e outros déficits focais.

Convulsões também podem ser confundidas com AIT. A maioria das convulsões produz atividade motora ou sensitiva positiva, enquanto a maioria dos AVC ou AIT produz sintomas negativos.

Em relação à duração dos episódios vertiginosos, o material cita: minutos: AIT, crises de pânico, enxaqueca. O retorno não traz um protocolo específico de investigação ou tratamento exclusivo para AIT, mas o menciona como condição a ser considerada no diagnóstico diferencial de déficits neurológicos focais e de episódios de vertigem de curta duração.

Segundo o MS-PCDT: Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo, o acidente vascular cerebral (AVC) é uma das principais causas de incapacidade e morte no mundo. Em todo o mundo, 15 milhões de pessoas sofrem um AVC todos os anos, cinco milhões e meio de pessoas morrem e outros cinco milhões ficam permanentemente incapacitadas, representando importante impacto à saúde pública e à família dos pacientes.

O AVC ocorre predominantemente em adultos de meia-idade e idosos. Dados de um estudo prospectivo nacional indicaram uma incidência anual de 108 casos por 100 mil habitantes.

Conforme definição recente, o AVC é um episódio agudo caracterizado por sinais clínicos de perturbação focal ou global da função neurológica causada por infarto ou hemorragia espontânea na parte acometida do encéfalo, retina ou medula espinhal, durando mais de 24 horas, ou de qualquer duração, se constatada por imagem - tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) -, ou, ainda, por autópsia que identifique infarto focal ou hemorragia relevante para os sintomas. O AVC é classificado em isquêmico (obstrução arterial com consequente alteração do fluxo sanguíneo cerebral), hemorragia intracerebral (coleção focal de sangue dentro do parênquima cerebral ou sistema ventricular que não é causada por trauma) e hemorragia subaracnóidea.

O AVC isquêmico (AVCi) é o mais prevalente, sendo responsável por 75% a 85% de todos os AVC. A principal causa modificável de AVC é a aterosclerose de artérias pequenas intracranianas e grandes artérias do pescoço e cerebrais.

O restante dos AVC (aproximadamente 20%) é causado por êmbolos cardiogênicos, mais comumente associados à fibrilação atrial, e cerca de 30% permanecem idiopáticos, mesmo após extensa investigação etiológica. Cerca de 90% dos AVC podem ser associados a fatores de risco, sendo os mais frequentes: hipertensão arterial sistêmica, tabagismo, obesidade, dieta inadequada, sedentarismo, diabete melito, consumo de álcool, sofrimento mental, doenças cardíacas e dislipidemia.

Assim, intervenções sobre os fatores de risco modificáveis, que podem ser feitas na atenção primária, podem contribuir para a prevenção de grande parte dos AVC. Também, o atendimento imediato e efetivo dos pacientes com quadros agudos pode prevenir sequelas e morte.

O aparecimento súbito de déficits neurológicos caracteriza clinicamente o AVC hemorrágico e o AVC isquêmico, de acordo com a região cerebral envolvida, que, por sua vez, dependerá da circulação afetada. Em 80% dos casos, a circulação mais comumente afetada é a anterior ou a carotídea.

Nestes casos, os pacientes geralmente apresentam déficit motor contralateral - com comprometimento predominante de membros superiores e inferiores, alteração de linguagem, perda sensitiva contralateral e hemianopsia homônima com desvio conjugado do olhar para o lado da lesão. Os AVC da circulação posterior (ou vertebrobasilar) são menos frequentes e de pior prognóstico e os pacientes comumente apresentam como sinais e sintomas: estado de coma, tetraparesia, alterações de nervos cranianos, diplopia, vertigem ou ataxia.

Alguns fatores podem levar a uma maior complexidade dos casos, como o tromboembolismo pulmonar. As maiores causas de morte precoce são a deterioração neurológica e a contribuição de outras causas, tais como infecção secundária por aspiração e infarto agudo do miocárdio.

Devido à sua prevalência, quadro clínico e impacto na qualidade de vida e capacidade funcional do paciente, o AVC representa um enorme impacto financeiro para o sistema de saúde e para as famílias dos pacientes acometidos. O impacto global do AVC aumentou nas últimas duas décadas.

Em 2015, a doença isquêmica do coração e o AVC foram as duas principais causas de mortalidade prematura em todo o mundo e as principais causas de anos de vida perdidos (DALYs) em 119 países e territórios. Assim, identificar terapias seguras e custo-efetivas para prevenir e tratar o AVC é de grande interesse para a saúde pública

Artigo atualizado em 18/08/2026 10:13.
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