Publicado em 21 jul 2026

Os problemas médicos da clamídia genital

Redação

A clamídia genital é uma infeção causada pela bactéria Chlamydia Trachomatis e é, juntamente com as infeções pela bactéria Neisseria Gonorrhoeae, uma das doenças de transmissão sexual mais frequentes e a sua incidência tem vindo a aumentar. Considerando que muitos dos casos são assintomáticos, é provável que a sua ocorrência seja ainda mais elevada do que se pensa.

A clamídia genital é uma infecção sexualmente transmissível causada principalmente pela bactéria Chlamydia trachomatis. Ela pode causar uretrite, cervicite, proctite e conjuntivite, dependendo do local da infecção.

A transmissão ocorre pelo contato sexual, com risco médio de transmissão de 20% por ato sexual. O período de incubação varia de 5 a 21 dias, sendo geralmente assintomática em muitas pessoas, especialmente nas mulheres.

O diagnóstico laboratorial é feito preferencialmente pela detecção do material genético da bactéria por biologia molecular (PCR) em amostras de urina (primeiro jato) ou swabs de mucosas expostas (uretra, endocérvice, reto, orofaringe). Em pacientes sintomáticos, a pesquisa por PCR é indicada para tratamento específico e diagnóstico diferencial.

Em casos de uretrite não gonocócica, a clamídia é responsável por cerca de 50% dos casos. A sorologia para anticorpos IgM pode indicar infecção recente, mas a IgG tem valor limitado devido à alta prevalência de contato passado.

Em homens, a uretrite por clamídia pode causar corrimento uretral mucoso, disúria e, em casos mais graves, epididimite e prostatite. Em mulheres, pode causar cervicite, frequentemente assintomática, mas associada a corrimento vaginal, dor pélvica, dispareunia e risco de doença inflamatória pélvica (DIP), infertilidade e gravidez ectópica.

A infecção pode ser transmitida verticalmente durante o parto, causando conjuntivite e pneumonia neonatal. O tratamento recomendado para infecção por clamídia é a azitromicina 1 g em dose única por via oral.

Em casos de uretrite por Mycoplasma genitalium, que pode estar associada, também se utiliza azitromicina, mas há preocupação crescente com resistência. O tratamento das parcerias sexuais é fundamental para evitar reinfecções.

Recomenda-se abster-se de relações sexuais desprotegidas até o término do tratamento. O rastreamento é indicado em populações de risco, como pessoas com múltiplas parcerias sexuais, profissionais do sexo, pessoas vivendo com HIV, e pessoas com prática sexual anal receptiva sem preservativo.

A coleta para diagnóstico deve ser feita conforme a prática sexual (urina, swabs endocervicais, anais ou faríngeos). O uso correto e consistente de preservativos é a principal medida preventiva.

Se não tratada, a clamídia pode levar a complicações graves como DIP, infertilidade, gravidez ectópica, e aumento do risco de transmissão do HIV. Em homens, pode causar epididimite e síndrome uretro-conjuntivo-sinovial (síndrome de Reiter).

MS-PCDT: Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis alerta que, para a anamnese de hábitos sexuais e de risco, é preciso primeiro ganhar a confiança do paciente. Um estilo de abordagem mais direto pode funcionar para alguns; porém, é preferível que o profissional de saúde faça uma aproximação mais gradual, com o objetivo de construir uma relação de confiança, normalizar as perguntas e o assunto, e avançar do geral para o específico.

Nesse sentido, recomenda-se avisar ao paciente que as perguntas que você está fazendo são feitas para todos os pacientes adultos, independentemente de idade ou de estado civil. Também é importante enfatizar o caráter sigiloso da consulta.

Igualmente necessária é a escuta respeitosa sobre as diferentes profissões de cada pessoa, visto que estas também podem contribuir para suas vulnerabilizações, principalmente em se tratando da prostituição. Ao iniciar o assunto de forma gradual, podem-se utilizar metáforas, mas será necessário avançar para uma comunicação transparente e clara, abordando os pontos mais importantes para a avaliação de risco.

Em suma, a Chlamydia trachomatis é a causa mais comum de infecção sexualmente transmissível (IST) bacteriana curável em todo o mundo. Manifesta-se principalmente como uretrite em homens e endocervicite em mulheres.

Com a disponibilidade de novas técnicas diagnósticas, particularmente os métodos moleculares, que não são apenas altamente sensíveis e específicos, mas também custo-efetivos, o diagnóstico tornou-se rápido e fácil. O objetivo desta revisão é estudar os vários aspectos da infecção genital por C. trachomatis. Também são abordados os avanços relacionados ao quadro clínico, às diversas modalidades de diagnóstico, à prevenção, ao tratamento, à resistência a medicamentos e às medidas de controle.

Artigo atualizado em 08/07/2026 12:02.
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