A caracterização médica da síndrome das pernas inquietas
Redação
A síndrome das pernas inquietas, também conhecida como doença de Willis-Ekbom, é uma condição de origem neurológica na qual o paciente sente um inexplicável desconforto e uma incontrolável necessidade de movimentar as pernas. Esses episódios costumam ocorrer no final da tarde ou à noite, enquanto o paciente se encontra sentado ou deitado. A mudança de posição e a movimentação das pernas aliviam o desconforto temporariamente.

A síndrome das pernas inquietas (SPI) é uma condição neurológica caracterizada por uma necessidade irresistível de mover as pernas, geralmente desencadeada por sensações desconfortáveis descritas como formigamento, puxão ou coceira profunda nas pernas. Esses sintomas ocorrem principalmente em repouso, especialmente à noite, e o movimento alivia temporariamente o desconforto.
A SPI pode variar de leve a grave, podendo afetar também os braços e outras partes do corpo em casos mais severos. Além disso, muitos pacientes apresentam movimentos repetitivos involuntários das pernas durante o sono (movimentos periódicos dos membros durante o sono - PLMS) ou durante o estado de vigília (PLMW), o que prejudica a qualidade do sono e pode levar a dificuldades de concentração, alterações de humor e depressão.
O mecanismo exato da SPI não é completamente conhecido, mas há evidências neurofarmacológicas que indicam a participação primária do sistema dopaminérgico. Estudos de imagem sugerem uma disfunção leve pré-sináptica estriatal na patogênese da SPI.
Quanto ao tratamento, o dicloridrato de pramipexol, um agonista dopaminérgico, é utilizado para aliviar os sintomas da SPI. Ele age estimulando os receptores dopaminérgicos D2 e D3, protegendo os neurônios dopaminérgicos da degeneração.
A dose deve ser iniciada baixa e ajustada conforme a necessidade, com monitoramento para possíveis efeitos adversos. Reações adversas associadas ao tratamento da SPI com pramipexol incluem: muito comuns (>1/10): náusea e aumento dos sintomas da SPI; comuns (>1/100 e =1/10): sonhos anormais, insônia, tontura, cefaleia, sonolência, constipação, vômito e fadiga; incomuns (>1/1000 e =1/100): confusão, alucinações, alterações da libido, inquietação, discinesia, início súbito do sono, síncope, distúrbios visuais (diplopia, visão embaçada, acuidade visual reduzida), hipotensão, dispneia, soluços, prurido, erupção cutânea, hipersensibilidade, edema periférico, perda ou ganho de peso.
Frequência desconhecida: pneumonia, secreção inadequada do hormônio antidiurético, comportamentos anormais (transtornos do controle dos impulsos e comportamento compulsivo), compulsão alimentar e por compras, mania, delírio, hiperfagia, hipersexualidade, paranoia, jogo patológico, amnésia, hipercinesia, falência cardíaca, torcicolo anterior e síndrome de abstinência medicamentosa. Além disso, o tratamento pode estar associado a episódios de sono súbito durante atividades diárias, incluindo a condução de veículos, o que pode ocasionar acidentes.
Outra medicação mencionada para o tratamento da SPI é o clonazepam, que em doses de 0,5 a 2 mg ao deitar-se, mostrou-se efetivo na redução dos movimentos das pernas e na melhoria do padrão de sono, conforme análise por polissonografia. Enfim, a síndrome das pernas inquietas (SPI) é caracterizada? por uma sensação mal definida de incômodo e desconforto nos membros inferiores, associada a uma necessidade irresistível de movimentação que alivia os sintomas.
Cerca de 21% a 57% dos pacientes que descrevem a SPI apresentam sintomas também nos membros superiores. Os sintomas descritos pelos pacientes pioram no período noturno, podendo dificultar o início do sono.
Os sintomas são caracterizados por incômodo nas pernas que obriga o paciente a se movimentar. A sensação piora no repouso, no final do dia e no início da noite.
A SPI é descrita como um distúrbio do sono relacionado aos movimentos na Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD3). Sua prevalência varia de 5 a 30% dependendo da população estudada.
O histórico familiar de SPI é comum, acontece com maior frequência em idosos e mulheres (também na fase de gestação). Pode ter relação com doenças sistêmicas, como a insuficiência renal crônica, o diabete melito, deficiência de ferro, e associada ao uso de algumas medicações.
O diagnóstico clínico é feito com os pacientes normalmente que apresentam dificuldade para o início e manutenção do sono. O tratamento deve ser feito com medicação específica.
No entanto, o tratamento não medicamentoso também é muito importante. A melhora dos hábitos de vida, como a cessação do tabagismo, a redução da cafeína, a retirada dos medicamentos causadores da SPI, reposição alimentar de ferro e atividade física contínua podem ajudar no controle do distúrbio.