Publicado em 11 ago 2026

Os sintomas médicos dos acufenos ou zumbidos

Redação

Os zumbidos ou acufenos correspondem à percepção de um som, no ouvido ou na cabeça, uni ou bilateralmente, sem a existência de um estímulo externo. Podem ter origem em qualquer parte do sistema auditivo e são um sintoma muito comum que pode afetar pessoas de qualquer idade ou género.

Os zumbidos são sensações auditivas subjetivas que podem variar em forma e intensidade, descritas como ruídos como zunidos, cachoeiras ou grilos. Eles podem estar relacionados a interferências na frequência de alimentação e seus harmônicos em aparelhos auditivos, sendo que a medição do zumbido em dispositivos eletrônicos envolve avaliação da tensão de saída de zumbido e da relação sinal/zumbido, conforme especificado na norma NBR IEC 60268-3:2010.

Clinicamente, o zumbido pode estar associado a diversas condições, incluindo problemas auditivos, vertigem, e pode ser um sintoma em doenças como a de Fabry, onde ocorre perda auditiva, zumbido e vertigem em uma proporção significativa dos pacientes. Além disso, pode ser um efeito adverso de medicamentos, como observado no uso do mesilato de imatinibe, que pode causar zumbidos entre outros sintomas.

A avaliação clínica do zumbido deve considerar a história detalhada do paciente, exame físico e exames complementares para identificar a causa subjacente, que pode variar desde alterações no ouvido interno até condições neurológicas. O MS-PCDT: Miopatias Inflamatórias alerta que as miopatias inflamatórias (autoimunes) são um grupo heterogêneo de doenças raras que afetam adultos e crianças, sendo caracterizadas por inflamação crônica dos músculos estriados esqueléticos e com diversas manifestações clínicas, evolutivas e prognósticas.

A causa das miopatias inflamatórias é desconhecida, mas há relatos na literatura de processos exógenos, por exemplo, infecções e medicamentos, e susceptibilidade genética como fatores desencadeantes dessas enfermidades. As miopatias inflamatórias podem ser subdivididas em dermatomiosite, dermatomiosite amiopática (ou clinicamente amiopática), polimiosite, miopatia necrosante imunomediada, síndrome antissintetase e miosite por corpos de inclusão.

Fraqueza, baixa resistência muscular e mialgia são sintomas frequentes das miopatias inflamatórias. Manifestações extramusculares, como erupções cutâneas, disfagia de condução, artrite, doença pulmonar intersticial e acometimento cardíaco também podem ocorrer, enfatizando a natureza inflamatória sistêmica dessas enfermidades.

A dermatomiosite pode ainda apresentar manifestações cutâneas, tais como erupções violáceas periorbitárias - muitas vezes edematosas (heliótropo) e lesões eritematosas nas superfícies extensoras das articulações das mãos (pápulas de Gottron). A dermatomiosite amiopática ou clinicamente amiopática envolve pacientes que não mostram evidência clínica de doença muscular em exame físico ou análise de enzimas musculares por pelo menos 6 meses.

A polimiosite, por sua vez, é definida pela presença de fraqueza muscular progressiva e predominantemente proximal dos membros, além de concentrações elevadas de enzimas musculares (por exemplo: creatinofosfoquinase) e sem as erupções cutâneas comumente observadas na dermatomiosite. A polimiosite raramente ocorre na infância e a maioria dos casos é diagnosticada após a segunda década de vida.

A miopatia necrosante imunomediada é caracterizada por fraqueza muscular intensa, com instalação subaguda, e concentrações altas de enzimas musculares. Do ponto de vista de biópsias musculares, há evidências de necrose das fibras musculares com macrofagia e ausência de infiltrados inflamatórios linfomononucleares.

A miosite por corpos de inclusão é caracterizada por fraqueza muscular insidiosa, com acometimento da musculatura estriada esquelética, tanto proximal quanto distal dos membros, sendo mais comum em pacientes do sexo masculino e com mais de 50 anos. Em crianças, a dermatomiosite juvenil é o tipo de miopatia mais prevalente, sendo responsável por, aproximadamente, 80% dos casos.

Embora as miopatias inflamatórias compartilhem várias características entre adultos e crianças, incluindo fraqueza muscular proximal e erupções cutâneas, existem diferenças importantes: crianças com miopatias são mais propensas a desenvolver calcinoses; a distribuição de autoanticorpos miosite específicos são diferentes entre crianças e adultos; a doença pulmonar intersticial é menos frequente em crianças; a mortalidade é menor em crianças do que em adultos e o aumento do risco de neoplasias não é observado nas miopatias inflamatórias durante a infância, enquanto essa associação está bem estabelecida em adultos. A incidência estimada de miopatias inflamatórias em adultos é de 1 a 5 casos por 100.000 indivíduos ao redor do mundo.

Artigo atualizado em 27/07/2026 04:26.
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