O tratamento médico da síndrome da fadiga crônica
Redação
A síndrome da fadiga crônica, também chamada de encefalomielite miálgica ou doença sistêmica de intolerância ao esforço, é um quadro caracterizado por fadiga persistente, que não está relacionada com exercício físico e não melhora de forma relevante com repouso. A doença costuma vir acompanhada de outros sintomas e tem duração maior que seis meses.

A síndrome da fadiga crônica, atualmente denominada doença sistêmica de intolerância ao esforço (DSEI) pela National Academy of Medicine dos Estados Unidos, é caracterizada por um quadro de fadiga crônica sem causa clínica ou laboratorial aparente. A patogenia não é totalmente esclarecida, mas acredita-se que envolva alterações no sistema imunológico, especialmente na liberação de citocinas.
Para o diagnóstico da DSEI, o paciente deve apresentar os seguintes critérios: redução substancial na habilidade de executar atividades prévias (ocupacionais, sociais, educacionais e pessoais) por mais de seis meses, sem melhora efetiva com repouso; mal-estar após o esforço; sono não reparador; e comprometimento cognitivo ou intolerância ortostática (como tontura, mal-estar ou dor de cabeça ao assumir a posição ortostática). A fadiga na DSEI é persistente, não aliviada pelo repouso e pode ser acompanhada de outros sintomas como dores musculares difusas, distúrbios gastrointestinais e sintomas de olho seco, conforme relatos clínicos.
É importante diferenciar a fadiga da sonolência, pois a fadiga tende a piorar com a atividade física, enquanto a sonolência melhora com ela. A fadiga pode ser física e/ou mental, manifestando-se como cansaço, mal-estar, desânimo e dificuldade de concentração.
Assim, a fadiga crônica é um sintoma que pode estar associado a diversas condições clínicas e fatores, sendo caracterizada por uma sensação persistente de cansaço que não melhora com repouso e que interfere nas atividades diárias. A fadiga pode ser física ou mental, geral ou localizada, e sua extensão depende da intensidade, duração e padrão temporal das atividades que a provocam.
A fadiga crônica pode ser um sintoma em doenças como a Doença Sistêmica de Intolerância ao Esforço (antiga síndrome da fadiga crônica), doenças autoimunes, neoplasias, doenças renais, doenças cardíacas, doenças respiratórias, distúrbios neurovegetativos e psiquiátricos, entre outras.
Na avaliação clínica, é importante diferenciar fadiga de sonolência, caracterizar a intensidade e localização da fraqueza muscular associada, e investigar fatores que possam agravar ou melhorar o sintoma, como repouso, atividade física e condições associadas.
Conforme o MS-PCDT: Dor Crônica, a dor é uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou que lembra a sensação causada por uma lesão tecidual real ou potencial. O conceito da dor é construído por cada indivíduo, influenciado por fatores biopsicossociais e, com base nas experiências dolorosas.
Assim, as queixas álgicas devem ser valorizadas pelos profissionais de saúde e a inabilidade de comunicação dos indivíduos pode não signi ficar ausência de dor. A aversão à sensação de dor faz com que o indivíduo evite situações em que será exposto a dano físico – essa é a função de preservação da dor.
Na dor aguda, esse mecanismo pode evitar o agravamento de uma lesão recente, no entanto, na dor crônica esse mecanismo pode reduzir cada vez mais as atividades diárias da pessoa e limitar os contatos sociais, influenciando negativamente na sua qualidade de vida, com consequências prejudiciais para a saúde dos indivíduos. Há três mecanismos biológicos implicados na dor, o nociceptivo, o neuropático e o nociplástico.
Estes frequentemente coexistem, o que por vezes culmina na denominação de “dor mista”. Nocicepção, do latim “ferir”, é o processo neural de codificação de um estímulo que lesiona ou ameaça causar lesão tecidual.
A dor pelo mecanismo nociceptivo é a mais frequente e ocorre principalmente nas terminações livres dos nervos nociceptivos, dispostas como uma rede de fibras finas presentes em diversos tecidos do corpo. Quando existe lesão celular, são liberados mediadores inflamatórios como bradicinina, prostaglandinas, leucotrienos e substância P, que estimulam vasodilatação, edema e dor. Estímulos repetidos levam a alterações no nociceptor e a sua sensibilização, o que diminui o limiar de dor da pessoa.
A sensibilização facilita o aumento da responsividade de neurônios nociceptivos aos estímulos, que podem ocorrer na forma de hiperalgesia e alodinia. Hiperalgesia é um aumento da resposta a um estímulo normalmente doloroso, e alodinia é a dor ocasionada por um estímulo que normalmente não causa dor.
A sensibilização pode ser periférica ou central, podendo a central ser medular (segmentar) ou supramedular (suprassegmentar), conforme o trecho do sistema nociceptivo acometido. Uma série de alterações mal adaptativas perpetuam este ciclo inflamatório. Dor neuropática é aquela decorrente de “lesão ou doença” do sistema nervoso somatossensitivo.