Publicado em 15 set 2026

A contaminação clínica da tricosporonose

Redação

A tricosporonose é uma infecção fúngica causada pelo gênero Trichosporon que corresponde aos fungos pertencentes ao filo Basidiomycota, predominantemente leveduriformes, normalmente associados a infecções cutâneas como piedra branca.

As infecções fúngicas cutâneas ou as infecções fúngicas e bacterianas podem ser comuns em dermatoses hereditárias e devem ser tratadas especificamente com antimicrobianos, de acordo com o grau de acometimento. Em pacientes com dermatite atópica, há maior suscetibilidade a infecções bacterianas, virais e fúngicas da pele, com exemplos de foliculite, abscessos e eczema herpético.

Em psoríase, há contraindicações/alertas para uso de alguns tratamentos tópicos e sistêmicos na presença de infecções cutâneas não tratadas ou infecção por fungo, além de maior risco de infecções oportunistas com alguns imunossupressores. Em infecções fúngicas superficiais, o material retornado menciona tratamento específico com antimicrobianos.

O MS-PCDT: Dermatite Atópica explica que as dermatites atópicas (DA) são uma doença crônica não contagiosa, com componentes genéticos e ambientais contribuindo para o seu desenvolvimento. Também conhecida como eczema atópico, é uma condição inflamatória e pruriginosa da pele, que ocorre com maior frequência em crianças (início precoce), mas afeta também os adultos, os quais representam um terço de todos os casos novos da doença.

A prevalência global de DA, de acordo com estudo conduzido pelo International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) em 2013, foi de 7,9% em crianças de 6 e 7 anos e de 7,3% em adolescentes de 13 e 14 anos. Na população brasileira, em 2006, foi identificado que 12,1% das crianças de 6 e 7 anos e 10,2% dos adolescentes de 13 e 14 anos já tiveram eczema diagnosticado por um médico.

No entanto, estudos brasileiros apresentam prevalências discrepantes: 20,1%, entre indivíduos de 6 meses a 17 anos e 5,4%, em crianças menores de 12 anos. A prevalência da DA pode variar de acordo com a definição utilizada para diagnóstico e com a gravidade da doença.

Na população pediátrica brasileira, uma menor proporção de pacientes apresenta DA em sua forma grave. Com base na escala Patient Oriented Eczema Measure (POEM), estima-se que 6,1%, 7,4% e 8,2% dos indivíduos nas faixas etárias de 6 meses a <6 anos, 6 anos a <12 anos e 12 a 18 anos, respectivamente, sejam diagnosticados com DA grave.

Nos adultos, a prevalência de DA é cerca de 1% a 3% na maioria dos países sendo mais prevalente em pessoas com tendência atópica, as quais desenvolvem de uma até três das condições intimamente ligadas: dermatite atópica, rinite alérgica e asma. No Brasil, um inquérito realizado com 300 mil pessoas em 88 municípios encontrou uma prevalência de 2,3%, sendo 2,8% em mulheres e 1,8% em homens.

A fisiopatologia da DA é complexa e envolve fatores genéticos, ambientais, anormalidade da barreira cutânea, desregulação imunológica e alterações do microbioma da pele, que levam a lesões cutâneas e prurido intenso, comprometendo a saúde e a qualidade de vida das pessoas afetadas por esta condição. Os pacientes com DA têm barreira cutânea suscetível à xerose, um estado de ressecamento patológico da pele ou das membranas mucosas, fazendo com que a exposição a irritantes ambientais e alérgenos levem à inflamação e prurido.

As alterações da barreira cutânea podem ocorrer pela diminuição dos níveis de ceramidas, que desempenham um papel na função de barreira da pele e previnem a perda de água transepidérmica. A barreira cutânea defeituosa permite que irritantes e alérgenos penetrem na pele e causem inflamação devido a uma resposta Th2 hiperativa (com aumento de IL-4 e citocinas IL-5) em lesões agudas e resposta Th1 (com IFN-? e IL-12) em lesões crônicas.

A filagrina é uma proteína epidérmica decomposta em fator de hidratação natural, de modo que a deficiência dessa proteína também é considerada um dos principais determinantes para alteração da barreira cutânea. Pacientes com DA são predispostos ao desenvolvimento de infecções cutâneas bacterianas e virais, sendo que cerca de 90% dos indivíduos atópicos são colonizados por Staphylococcus aureus.

O eczema herpético, também chamado de erupção variceliforme de Kaposi, é uma complicação rara que pode afetar pacientes com DA. Em crianças com DA, lesões atípicas da doença-mão-pé-boca tendem a aparecer em áreas previamente ou atualmente afetadas pela dermatite, semelhantes ao eczema herpético.

A DA também acarreta complicações extracutâneas, como o envolvimento oftalmológico e psicológico. Problemas oculares em pacientes com DA incluem ceratoconjuntivite atópica (AKC) e ceratoconjuntivite vernal (VKC).

Artigo atualizado em 31/08/2026 03:55.
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