Publicado em 28 jul 2026

Os sintomas clínicos da cistite

Redação

A cistite ou a infeção da bexiga apresenta uma alta incidência no género feminino, sendo difícil determinar a prevalência real de infeção urinária, mas se estima que entre 50% a 60% das mulheres em fase de pré-menopausa terá, pelo menos, um episódio na sua vida e, dessas, 90% corresponderão a cistites.

A cistite é uma infecção da bexiga ou do trato urinário inferior, geralmente causada por bactérias, sendo a Escherichia coli a mais comum. A infecção pode ocorrer de forma aguda, com início súbito, e os sintomas típicos incluem a urina turva ou com sangue, urina com odor forte ou desagradável, dor ou queimação ao urinar, pressão ou cólica na região inferior do abdome ou nas costas, necessidade frequente e urgente de urinar, mesmo após esvaziar a bexiga, e febre baixa (nem sempre presente).

O diagnóstico é geralmente feito por exame de urina (urianálise) para detectar leucócitos, hemácias, bactérias e nitritos, e, se necessário, cultura de urina para identificar o agente e orientar o tratamento. O tratamento da cistite aguda simples envolve o uso de antibióticos orais por 1 a 5 dias em mulheres e 7 a 14 dias em homens, dependendo do antibiótico utilizado.

Além do tratamento medicamentoso, recomenda-se ingestão abundante de líquidos para ajudar a eliminar a infecção. Para prevenção, mudanças no estilo de vida podem ser úteis, como evitar produtos que irritem a bexiga (banhos de espuma, sprays íntimos, espermicidas), e em alguns casos, o uso de ácido ascórbico ou suco de cranberry pode ser indicado para reduzir a concentração bacteriana na urina.

Em gestantes, as opções seguras para tratar bacteriúria assintomática ou cistite incluem nitrofurantoína, amoxicilina, amoxicilina-clavulanato, cefalexina e fosfomicina, evitando-se quinolonas devido à contraindicação na gravidez. Existem formas específicas de cistite, como a cistite hemorrágica, que pode ocorrer em pacientes em uso de ciclofosfamida, sendo importante a hidratação vigorosa e o uso de mesna para prevenção.

A cistite intersticial é uma condição crônica caracterizada por dor, pressão ou queimação na bexiga, associada à frequência e urgência urinária, sem infecção bacteriana comprovada. O tratamento é baseado em tentativa e erro, incluindo mudanças dietéticas para evitar alimentos que irritam a bexiga, como cafeína, chocolate, bebidas carbonatadas, alimentos ácidos e condimentados.

O MS-PCDT: Miopatias Inflamatórias especifica que as miopatias inflamatórias (autoimunes) são um grupo heterogêneo de doenças raras que afetam adultos e crianças, sendo caracterizadas por inflamação crônica dos músculos estriados esqueléticos e com diversas manifestações clínicas, evolutivas e prognósticas. A causa das miopatias inflamatórias é desconhecida, mas há relatos na literatura de processos exógenos, por exemplo, infecções e medicamentos, e susceptibilidade genética como fatores desencadeantes dessas enfermidades.

As miopatias inflamatórias podem ser subdivididas em dermatomiosite, dermatomiosite amiopática (ou clinicamente amiopática), polimiosite, miopatia necrosante imunomediada, síndrome antissintetase e miosite por corpos de inclusão. Fraqueza, baixa resistência muscular e mialgia são sintomas frequentes das miopatias inflamatórias.

Manifestações extramusculares, como erupções cutâneas, disfagia de condução, artrite, doença pulmonar intersticial e acometimento cardíaco também podem ocorrer, enfatizando a natureza inflamatória sistêmica dessas enfermidades. A dermatomiosite pode ainda apresentar manifestações cutâneas, tais como erupções violáceas periorbitárias - muitas vezes edematosas (heliótropo) e lesões eritematosas nas superfícies extensoras das articulações das mãos (pápulas de Gottron).

A dermatomiosite amiopática ou clinicamente amiopática envolve pacientes que não mostram evidência clínica de doença muscular em exame físico ou análise de enzimas musculares por pelo menos 6 meses. A polimiosite, por sua vez, é definida pela presença de fraqueza muscular progressiva e predominantemente proximal dos membros, além de concentrações elevadas de enzimas musculares (por exemplo: creatinofosfoquinase) e sem as erupções cutâneas comumente observadas na dermatomiosite.

A polimiosite raramente ocorre na infância e a maioria dos casos é diagnosticada após a segunda década de vida. A miopatia necrosante imunomediada é caracterizada por fraqueza muscular intensa, com instalação subaguda, e concentrações altas de enzimas musculares.

Do ponto de vista de biópsias musculares, há evidências de necrose das fibras musculares com macrofagia e ausência de infiltrados inflamatórios linfomononucleares. A síndrome antissintetase, por sua vez, é caracterizada por apresentar anticorpos anti-aminoacil-RNAt sintetases (anti-ARS), por exemplo, anti-Jo-1, anti-PL-7 e anti-PL-12, e pelas seguintes manifestações clínicas: miosite, pneumopatia intersticial, artrite, febre de origem desconhecida, fenômeno de Raynaud e “mãos de mecânico”.

A miosite por corpos de inclusão é caracterizada por fraqueza muscular insidiosa, com acometimento da musculatura estriada esquelética, tanto proximal quanto distal dos membros, sendo mais comum em pacientes do sexo masculino e com mais de 50 anos. Em crianças, a dermatomiosite juvenil é o tipo de miopatia mais prevalente, sendo responsável por, aproximadamente, 80% dos casos.

Artigo atualizado em 29/07/2026 11:13.
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